quarta-feira, 9 de novembro de 2011

DROGAS: UM NOVO ALERTA QUE VOCÊ NECESSITA SABER


DROGAS: UM NOVO ALERTA QUE VOCÊ NECESSITA SABER



EM RAZÃO DA TAMANHA IMPORTÂNCIA QUE IMPLICA ESTA MATÉRIA, TOMAMOS A LIBERDADE DE  PROPAGÁ-LA INTEGRALMENTE.


Quando falta informação, sobra espanto e imobilismo.

         O flagelo das drogas, pela repetida história de dor que escreve nas páginas de lares dignos e honrados, onde antes reinava a paz, o trabalho e a esperança, merece o cuidado do conhecimento e a atenção de nossa vigilância. Porque quando alguém dentre os nossos, se torna escravo do álcool ou das drogas proibidas, como a maconha,  crack, cocaína e agora o oxi, sentimo-nos roubados e impotentes para enfrentar o problema com a determinação e serenidade que ele exige.
          Não imaginamos que pessoas tão próximas de nosso coração, poderão cair nesse vício. Porque, nossa visão da dependência química, ainda é ingênua e preconceituosa.
         Talvez isso, ajude a explicar o triste avanço que a epidemia do alcoolismo e das drogas ilícitas tem registrado e a contínua dificuldade que as famílias têm, para lidar com o problema, assim que o vê instalado em sua própria casa. A postura costuma ser de espanto e imobilismo, o que muitas vezes, levam as pessoas a tomarem decisões impróprias.

Quem é o dependente de drogas? 

         Não se pode mais, associar a dependência de drogas com a marginalidade ou atribuí-la ás “más companhias”. A drogadição esconde causas muito sérias e insuspeitas, porque presentes no indivíduo, bem antes de seu primeiro contato com as substâncias que geraram a sua dependência.
         Por isso, precisamos saber quem é do dependente e como ele funcionava como pessoa, antes se ligar ao infeliz consumo. É dessa análise que poderemos obter boas respostas que ajudarão a definir a causa motivadora de sua escravização ás drogas e permitir a busca do tratamento que melhor se ajuste ás suas necessidades. 


O consumo de drogas para aliviar sintomas de ansiedade e depressão.
          
         No Centro de Reabilitação Ave Cristo, a cada dez pessoas que se submetem ao programa, seis apresentam transtornos de ansiedade ou depressão. Portanto, uma causa orgânica e com tal necessita ser tratada.
Os transtornos de ansiedade de maior incidência, também constados pela Unifesp – Universidade Federal de São Paulo são: TB- transtorno bipolar, TOC – transtorno obsessivo-compulsivo e o TDAH – transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, dente outros, além da depressão.

A origem espiritual dos Transtornos de Ansiedade e Depressão
  
         Os transtornos não são determinantes para a dependência, embora prevalentes. Estas anomalias cerebrais têm origem nos núcleos energéticos do espírito, que foram lesados no passado; na atualidade, por meio do perispírito, lança na rede dos neurônios, energia pouco saudável. É o que se depreende dos ensinos do psiquiatra e escritor espírita Dr. Jorge Andréa.  
         No entanto, a medicação apropriada ajuda a equilibrar essa disfunção e a realização do bem e a integração com Deus poderá suprir gradualmente, estas deficiências da alma, como alerta o Espírito Joanna de Ângelis, por Divaldo P. Franco, na obra Transtornos Psiquiátricos e Obsessão.

Não sou dependente, paro quando quero!

          Nesses casos é necessário que a família faça um pacto pela união de todos, para buscar informações sobre a dependência de drogas e melhor compreender o que se passa com o familiar que caiu. Estabelecer em casa, o culto do Evangelho que além de promover o ajuste emocional da família, facilitará o socorro dos Espíritos Amigos. Estas práticas não passarão despercebidas pelo dependente, nem tão pouco, pelos espíritos afins que acompanham o viciado e atuam para ampliar os seus desejos.

Como iniciar o tratamento e o drama da internação
    
         O tratamento se inicia por meio de avaliação pessoal do dependente, para se verificar os níveis de ansiedade ou depressão. Isso é importante porque quando uma destas condições se faz presente e com certa intensidade, haverá necessidade de intervenção médica para se equilibrar a mente inquieta ou deprimida.
         Porém, não haverá necessidade de internação quando o indivíduo ainda mantém seus vínculos com a família, emprego e escola. Mas, caso tenha deixado de funcionar socialmente, porque a droga se tornou a sua única preocupação, somente a internação para o tratamento intensivo será eficaz.         
         Enquanto as experiências clínicas demonstram que a internação forçada somente é recomendada quando houver riscos para a vida do paciente e dos seus familiares, a não ser quando se trate de criança ou adolescente até 13 anos de idade.

O Tratamento Espírita

         O Espiritismo oferece valiosos recursos que ampliam o sucesso da terapia. Seja pelo convencimento da necessidade da transformação moral do paciente; pelos passes que restauram a tessitura perispiritual lesada pelas partículas das drogas; pela intervenção da terapia desobsessiva que harmoniza as mentes em pugna. Enquanto, o Evangelho no Lar promove o ajuste do ciclo vibratório da família.
         Seja qual for o grau da dependência de drogas ou a recusa em aceitar a ajuda, jamais se deverá perder a esperança. Porque todo ser humano é recuperável. Posto que, o Médico Maior, dentre todos, segue declarando: “Vós sois deuses, pois brilhe a vossa luz”. (Mateus, 5:14-15) 

                                                    Vilson Disposti -  vilsondi@terra.com.br 
(Publicado na Revista “O Semeador” da FEESP de Setembro/2011)


REFERÊNCIAS 

CASA DO CAMINHO AVE CRISTO – www.avecristo.com.br

ALLAN KARDEC. O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Ed. Feb, Rio de Janeiro, 2009 

ALLAN KARDEC. O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO. Ed. Petit. São Paulo. 1997 

DIVALDO P. FRANCO (pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda)  TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS E OBSESSIVOS.Ed. Espírita Alvorada. Salvador. 2008 

DISPOSTI, VILSON.  FILHOS DA DOR – Prevenção e tratamento da dependência  de drogas – Relatos de casos reais. Ed. Intelítera. São Paulo. 2010. 

JORGE ANDRÉA – PSICOLOGIA ESPÍRITA, vol. I, 1997, p. 16

Artigo publicado com autorização do autor    http://amigoespirita.ning.com

Dr. Vilson Aparecido Disposti (Araçatuba-SP)

Vilson Aparecido Disposti, delegado de polícia do 1o Distrito Policial de Araçatuba e presidente da Casa do Caminho "Ave Cristo" em Birigui/SP que oferece Tratamento Especializado em Dependência de Drogas. Autor do livro "Filhos da Dor – Prevenção e Tratamento da Drogadição" 



sábado, 5 de novembro de 2011

O amor - Fonte de vida

O amor - Fonte de vida





O amor é um tema imortal. Escreve-se, declama-se, canta-se, pinta-se e compõe-se sobre o amor.
A cultura judaico-cristã, mais recentemente analisada sob a ótica espírita, reforça o amor como a receita para o relacionamento interpessoal ideal.

Antes de se entender o Amor Universal, abrangente e utópico, há necessidade de se sentir seus tópicos mais humanos, suas manifestações ao nível de nossa Civilização.

O inolvidável Herculano Pires comenta que: "A solidão do Ser gera a busca do outro. Esta não é uma afirmação gratuita, imaginária, mas resultante de pesquisa. Não se pode pesquisar o Amor nos livros, nos estudos teóricos a respeito, nas múltiplas opiniões dos sábios, nem apenas nas relações humanas ou nas relações do homem com os outros seres ou com as coisas. A pesquisa do amor exige o método existencial da vivência individual. Porque o ato do amor é pessoal, individual e ôntico. Brota da estrutura psíquica de uma pessoa, define-se na ação relacional de um indivíduo com outro (ser ou coisa) e tem sua causa na profundeza das exigências ônticas, nas fontes do Ser. Se quisermos compreender o Amor Divino temos de partir do amor humano".(4)

À época do taoísmo, simbolizava-se o "yin" como pólo masculino e o "yang" como pólo feminino, ambos interagindo. Para Carl Gustav Jung, há contrastes em equilíbrio, o "animus" (masculino) e "anima" (feminino).
A Literatura espírita é riquissíma de informações e de ilustrações sobre a vasta área do amor. Partindo-se da obra inovadora de André Luiz, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, deve-se considerar a grande realidade de que "a reencarnação é o meio, a educação divina é o fim".(2)

Dentro desse diapasão, não se pode olvidar que nas múltiplas situações evolutivas no trânsito reencarnatório, o amor tem facetas muito materiais. Pode ser expresso pela atração física, pela paixão, pelo enlaçamento platônico e até pela afinidade espiritual.
Todavia, na conjugação de forças ou pólos masculinos e femininos, as manifestações sexuais - do aperto de mão à relação sexual propriamente dita - , surgem como partes integrantes da satisfação pessoal e de felicidade das criaturas. Portanto, são formas de amor. As atitudes consientes ou incoscientes de ordem sexual e de busca do amor, acompanham o ser em todas as etapas de sua vida física. Em suas variadas expressões, são muito importantes para o equilíbrio do ser encarnado.

Pela mediunidade de Francisco Cândido Xavier, André Luiz destaca que "o sexo, na existência humana, pode ser um dos instrumentos do amor, sem que o amor seja o sexo", mas supera os tabus das interpretações imediatas em torno do sexo e descerra perspectivas amplas: "Entre as criaturas que se encaminham, de fato, aos montes de elevação, a união sexual é muito diferente. Traduz a permuta sublime das energias perispirituais, simbolizando alimento divino para a inteligência e para o coração e força criadora não somente de filhos carnais, mas também de obras e realizações generosas da alma para a vida eterna"(2).
Seguindo esse delineamento, Jorge Andréa dos Santos é de opinião que as forças criativas podem ser chamadas "forças sexuais da alma" (1).

O amor como gerador e mantenedor de vida, ou seja, como fonte de vida, deve ser estudado para o melhor entendimento do relacionamento interpessoal e, principalmente, do relacionamento familia. Daí a razão de André Luiz considerar que "...o lar é conquista sublime que os homens vão realizando vagarosamente. - É templo, onde as criaturas devem unir-se espiritual antes que corporalmente. - ... o lar é como se fora um ângulo reto nas linhas do plano da evolução divina. A reta vertical é o sentimento feminino, envolvido nas inspirações criadoras de vida. A reta horizontal é o sentimento masculino, em marchas de realizações no campo do progresso comum. O lar é o sagrado vértice onde o homem e mulher se encontram para o entendimento indispensável"(3). 



FAMÍLIA & ESPIRITISMO.


Antonio Cesar Perri de Carvalho

Bibliografia:
1. Andréa dos Santos, J. - Forças Sexuais da Alma. FEB
2. André Luiz (F.C.Xavier) - Missionários da Luz. FEB, Cap. 12 e 13.
3. André Luiz (F.C.Xavier) - Nosso Lar. FEB, Cap. 20.
4. Herculano Pires, J. - Pesquisa Sobre o Amor. DICESP;


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

EM QUE NÍVEL VOCÊ ESTÁ ? leia com carinho

Os Níveis do Ser Humano





Há alguns anos, um buscador aproximou-se de um Mestre da Arte Real (um verdadeiro Místico) e perguntou-lhe:
- Mestre, gostaria muito de saber por que razão os seres humanos guerreiam-se e por que não conseguem entender-se, por mais que apregoem estar buscando a Paz e o entendimento, por mais que apregoem o Amor e por mais que afirmem abominar o Ódio? 

Até quando?


Até quando?
Wellington Balbo (Bauru – SP)

Artigo originalmente publicado em O Clarim, novembro de 2011

Wellington Balbo – Bauru SP

O governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin irá aumentar a fiscalização a bares com o objetivo de diminuir o consumo de álcool entre os menores de 18 anos. Esta medida ocorrerá ainda este ano. Para 2012 o foco será o adulto consumidor de bebida alcoólica. O intuito com relação ao público adulto não é proibir o consumo, mas evitá-lo de maneira exagerada, principalmente no tocante ao trânsito, pois muitas mortes foram causadas por motoristas embriagados.
Em pesquisa realizada pelo Centro de Referência de Álcool, Tabaco e outras drogas (Cratod) mostra que 40% dos adolescentes iniciaram sua aventura com as bebidas alcoólicas antes dos 11 anos bebericando nos copos de seus familiares.
Tivéssemos curiosidade em pesquisar sobre os malefícios sociais causados pelo álcool e ficaríamos espantados com os números de vidas que são ceifadas pela sua ingestão desmedida. Mais de 65% dos laudos de mortes violentas, por exemplo, constam que o indivíduo ingeriu bebida alcoólica.
O governador está certo em fiscalizar.
Mas o simples fato de fiscalizar o que faz o outro mostra que ainda não estamos educados o suficiente para gozarmos de um pouco mais de liberdade.
Planeta de provas e expiações, conforme nos ensina a Doutrina Espírita, ainda nos comprazemos com substâncias que intoxicam o corpo e entorpecem a alma.
Por isso ficamos atados a um mundo de fiscalização:
O governo fiscaliza a população.
O poder legislativo fiscaliza o executivo.
Pais fiscalizam filhos.
Cônjuges fiscalizam-se.
Quando atingiremos o patamar de vivermos em um mundo educado, longe dos fiscais?
Quando chegaremos ao ponto exato de sabermos os limites e agirmos com bom senso para não causarmos infelicidade a nós e danos aos outros?
A resposta às indagações propostas estão na recomendação de Allan Kardec:
“Reconhece-se o verdadeiro espírita pelos esforços que ele faz para domar suas más inclinações”.
Há, ainda, em O Livro dos Espíritos, a questão 909 que Kardec assim pergunta aos sábios espirituais:
P- 909  - O homem poderia sempre vencer suas más tendências pelos seus esforços?
R - Sim, e algumas vezes com pouco esforço; é a vontade que lhe falta. Como são poucos dentre vós os que se esforçam!
Analisando com sinceridade as colocações expostas fica fácil saber a razão pela qual sofremos fiscalização de todos os tipos. É que se as rédeas forem soltas não saberemos lidar com um pouco mais de liberdade. Falta-nos o elementar: esforço para coibir as más inclinações.
Porém, eis que não cala a reflexão:
Até quando? Até quando teremos que ser fiscalizados, já que as leis de Deus estão escritas em nossa consciência. Até quando?

Wellington Balbo (Bauru – SP)
Wellington Balbo é professor universitário, escritor e palestrante espírita, Bacharel em Administração de Empresas e licenciado em Matemática. É autor do livro "Lições da História Humana", síntese biográfica de vultos da História, à luz do pensamento espírita, e dirigente espírita no Centro Espírita Joana D´Arc, em Bauru.


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

FINADOS -NINGUÉM MORRE, A VIDA É ETERNA!


FINADOS




(..) A alma, em sua peregrinação imensa, diziam os druidas, percorre três círculos, aos quais correspondem três estados sucessivos. No anoufn sofre o jugo da matéria; é o período animal. Penetra depois no abred, círculo das migrações que povoam os mundos de expiação e de provas; a Terra é um desses mundos, e a alma se encarna bastantes vezes em sua superfície. À custa de uma luta incessante, desprende-se das influências corpóreas e deixa o círculo das encarnações para atingir gwynfiá, círculo dos mundos venturosos ou da felicidade. Aí se abrem os horizontes encantadores da espiritualidade.


Ainda mais acima se desenrolam as profundezas do ceugant, círculo do infinito que encerra todos os outros e que só pertence a Deus. Longe de se aproximar do Panteísmo, como a maior parte das doutrinas orientais, o druidismo afasta-se dele por uma concepção inteiramente diferente sobre a Divindade. A sua concepção sobre a vida também não é menos notável. Segundo as Tríades, nenhum ser é joguete da fatalidade, nem favorito de uma graça caprichosa, visto preparar e edificar por si próprio os seus destinos. O seu alvo não é a pesquisa de satisfações efémeras, mas sim a elevação pelo sacrifício e pelo dever cumprido.


A existência é um campo de batalha onde o braço conquista seus postos. Tal doutrina exaltava as qualidades heróicas e depurava os costumes. Estava tão longe das puerilidades místicas quanto da avidez ilusória da teoria do nada Entretanto, parece ter-se afastado da verdade em certo ponto: foi quando estabeleceu que a alma culpada, perseverando no mal, pode perder o fruto de seus trabalhos e recair nos graus inferiores da vida, donde lhe será necessário recomeçar sua longa e dolorosa ascensão. Mas, ajuntam as Tríades, a perda da memória lhe permite recomeçar a luta, sem ter, por obstáculos, o remorso e as irritações do passado. No Gwynfid, recupera, com todas as recordações, a unidade da sua vida-; reata os fragmentos esparsos pela sucessão dos tempos.


Os druidas possuíam conhecimentos cosmológicos muito extensos. Sabiam que o nosso planeta rola no espaço, levado em seu curso ao redor do Sol. É o que ressalta deste outro canto de Taliesino, chamado O Cântico do Mundo: "Perguntarei aos bardos, e por que os bardos não responderão? Perguntarei o que sustenta o mundo; porque, privado de apoio, este globo não se desloca. Que lhe poderia servir de apoio? "Grande viajor é o mundo! Correndo sempre e sem repouso, nunca se desvia da sua linha, e quão admirável é a forma dessa órbita para que jamais se escape dela."


O próprio César, tão pouco versado nessas matérias, diz-nos que os druidas ensinavam muitas coisas sobre a forma e a dimensão da Terra, sobre o movimento dos astros, sobre -as montanhas e os vales da Lua. Dizem que o Universo, eterno e imutável em seu conjunto, se transforma incessantemente em suas partes; que a vida o anima por uma circulação infinita, e espalha-se por todos os pontos. Desprovidos dos meios de observação de que dispõe a ciência moderna, pergunta-se: onde foram os gauleses aprender tais noções?


Os druidas comunicavam-se com o mundo invisível; mil testemunhas o atestam. Nos recintos de pedra evocavam os mortos. As druidesas e os bardos proferiam oráculos. Vários autores referem que Vercingétorix entretinha-se, debaixo das ramagens sombrias dos bosques, com as almas dos heróis mortos em serviço da pátria. Antes de sublevar a Gália contra César, foi para a ilha de Sein, antiga residência das druidesas, e aí, ao esfuziar dos raios, apareceu-lhe um Gênio que predisse sua derrota e seu martírio.


A comemoração dos mortos é de iniciativa gaulesa. No dia primeiro de novembro celebrava-se, a festa dos Espíritos, não nos cemitérios — os gauleses não honravam os cadáveres —, mas sim em cada habitação, onde os bardos e os videntes evocavam as almas dos defuntos. No entender deles, os bosques e as charnecas eram povoados por Espíritos errantes. Os Duz e os Korrigans eram almas em procura de novas encarnações.


O ensino dos druidas adaptava-se, na ordem política e social, a instituições conforme à justiça. Os gauleses, sabendo que eram animados por um mesmo princípio, chamados todos aos mesmos destinos, sentiam-se iguais e livres. Em cada república gaulesa, os chefes eram oportunamente eleitos pelo povo reunido. A lei céltica punia, com o suplício do fogo, os ambiciosos e os pretendentes à coroa. As mulheres tomavam parte nos conselhos, exerciam funções sacerdotais, eram videntes e profetas. Dispunham de si mesmas e escolhiam seus esposos. A propriedade era coletiva, pertencendo todo o território à república. Por forma alguma era entre eles reconhecido o direito hereditário: a eleição decidia tudo. (..)


(..) Uma sociedade sem esperança, sem fé no futuro, é como um homem perdido no deserto, como uma folha seca que vagueia à feição dos ventos. É bom combater a ignorância e a superstição, mas cumpre substituí-las por crenças racionais. Para seguirmos na vida com passo firme, para nos preservarmos dos desfalecimentos e das quedas, é preciso uma convicção robusta, uma fé que nos eleve acima do mundo material: é necessário ver-se o alvo e para ele nos encaminharmos. A mais segura arma no combate terrestre é uma consciência reta e esclarecida.


Mas, se nos domina a idéia do nada, se acreditamos que a vida não tem sequência e que tudo termina com a morte, então, para sermos lógicos, cumpre sobrepor, a qualquer outro sentimento, o cuidado da existência material, o interesse pessoal. Que nos importa um futuro que não devemos conhecer? A que título falar-nos-ão de progresso, de reformas, de sacrifícios? Se há para nós somente uma existência efêmera, nada mais nos resta fazer do que aproveitar a hora atual, gozar-lhe as alegrias e abandonar-lhe os sofrimentos e os deveres! Tais são os raciocínios em que forçosamente terminam as teorias materialistas, raciocínios que ouvimos formular e vemos aplicar todos os dias em nosso círculo.


Que desordens não serão de esperar como consequência dessas doutrinas, no meio de uma civilização rica e já muito desenvolvida no sentido do luxo e dos gozos? Entretanto, nem todo o ideal está morto. A alma humana tem, ainda, algumas vezes, o sentimento de sua miséria, da insuficiência da existência presente e da necessidade da sobrevivência. No pensamento do povo uma espécie de intuição subsiste. Iludido durante séculos, o povo tornou-se incrédulo a todos os dogmas, mas não é céptico. Vaga e confusamente, crê, aspira à Justiça. E esse culto da saudade, essas manifestações comoventes do 2 de novembro, que impelem as multidões para junto dos túmulos dos mortos, denotam também um instinto confuso da imortalidade.


Não, o povo não é ateu, pois crê na Justiça imanente, como crê na Liberdade, porque a Justiça e a Liberdade existem pelas leis eternas e divinas. Esse sentimento, o maior, o mais belo que se pode achar no fundo da alma, esse sentimento salvar-nos-á!


Para isto, basta fazer compreender a todos que esta noção de Justiça, gravada em nós, é a lei do Universo, que rege todos os seres e todos os mundos, e que, por ela, o Bem deve finalmente triunfar do mal, e a Vida sair da Morte.


Ao mesmo tempo que aspira à Justiça, busca o ente humano vê-la realizada. Procura-a no terreno político como no terreno econômico, no princípio de autoridade. O poder popular começou a estender sobre o mundo uma vasta rede de associações operárias, um agrupamento socialista que abraça todas as nações, e, sob um só estandarte, faz ouvir por toda parte os mesmos apelos, as mesmas reivindicações. Há aí, ninguém se engane, ao mesmo tempo que um espetáculo cheio de ensinamentos para o pensador, uma obra repleta de consequências para o futuro. Inspirada pelas teorias materialistas e ateias, ela se tornaria um instrumento de destruição, porque sua ação resolver-se-ia em tempestades violentas, em resoluções dolorosas.


Contida nos limites da prudência e da moderação, ela muito pode para a felicidade humana. Que um raio de luz desça a esclarecer essas multidões em trabalho; que um ideal elevado venha reanimar essas massas ávidas de progresso, e, graças a tal benefício, veremos todas as antigas pátrias, todas as velhas formas sociais se dissolverem e se fundirem em um mundo novo, baseado sobre o direito de todos, na solidariedade e na justiça. (..)

Depois da morte - Léon Denis - pág. 63, 105



 SÉRGIO RIBEIRO
http://apostolodoespiritismo.blogspot.com

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terça-feira, 1 de novembro de 2011

SUICÍDIO - Desgosto da Vida


SUICÍDIO - Desgosto da Vida



Na questão 943, de O Livro dos Espíritos, Kardec indagava qual seria a causa do desgosto pela vida que se apoderava de certas pessoas sem causa aparente. Ao que os Espíritos responderam: “Efeito da ociosidade, da falta de fé, e, às vezes, da saciedade (...).” Analisemos individualmente cada item:

OCIOSIDADE: começa pela atitude mental invigilante, uma vez que, ao mantermos a mente vazia de pensamentos nobres, estaremos oferecendo vasto campo a expressões mentais intrusas de baixo teor, mormente aquelas que sinalizam para o desprezo pelo maravilhoso dom da vida. Ociosidade no campo mental que se transforma facilmente em inércia física, tornando a vida um campo infértil tomado por ervas daninhas como os obsessores. Eis a razão pela qual as estatísticas demonstram que a incidência do suicídio é maior entre pessoas desempregadas ou voluntariamente entregues a inação (falta de ação, de trabalho, é a inércia). Joanna de Ângelis nos recomenda que: “Tomemos cuidado com a hora vazia, sem objetivo, sem atividade. Cabeça ociosa é perigo a vista. Mãos desocupadas facultam o desequilíbrio que se instala. Preenche-a com uma leitura salutar, ou uma conversação positiva, ou trabalho que aguarda oportunidade para execução, ou uma ação que te proporcione prazer . . . O homem, quanto mais preenche os espaços mentais com as idéias do bem, mediante o estudo, a ação ou a reflexão, mais aumenta a sua capacidade e conquista mais amplos recursos para o progresso. Estabelece um programa de realizações e visitas para os teus intervalos mentais, nas tuas horas vazias, e te enriquecerás de desconhecidos tesouros de alegria e paz. Hora Vazia, nunca!”

FALTA DE FÉ: A fé é perseverante, remove montanhas de dificuldades, estimula esperança, calma, paciência, sabe esperar porque apóia na inteligência e na compreensão das coisas; e a falta dela produz incerteza, hesitação, revolta, enfraquece diante dos adversários e obstáculos; sem ela a pessoa nem procura os meios de vencer os obstáculos, porque não crê na possibilidade de vitória, na continuidade da vida após a desencarnação e nem na infalibilidade das leis divinas.
Na Suíça, o suicídio assistido foi legalizado, que consiste no seguinte: alguém que sofre de um mal irreversível qualquer solicita o auxílio de um médico, que, então, lhe prescreve determinado medicamento, em expressiva dosagem, que lhe permita desencarnar “suavemente” em alguns poucos minutos. A única condição que a lei impõe para esse tipo de suicídio é que o próprio paciente ministre em si mesmo o medicamento letal. Ou seja, o médico deve se limitar a assistir passivamente a morte lenta e gradual daquele cuja vida ele deveria preservar. Dados estatísticos demonstram que, em dez anos dessa prática vergonhosa, o número de suicídios simplesmente triplicou naquele país, já que pessoas de nações vizinhas têm se deslocado até a Suiça para se matarem em “grande estilo”.

SACIEDADE: A ONU publicou recentemente um documento em que situou a Suécia (seguida da Noruega e da Finlândia) como o país que oferece a melhor qualidade de vida da Terra, já que, por lá, questões como desemprego, fome e miséria são praticamente inexistentes. Contudo, aqueles três países registram, na ordem referida, os maiores índices de suicídio do planeta. 

MAS, POR QUE RAZÃO?
Vejamos: A revista Isto É, edição de 28/01/2004, publicou uma reportagem bastante interessante sobre uma norueguesa de nome Clara Karoliussem que, após viver por mais de cinco anos em Santos (SP), preparava-se para retornar ao seu país de origem, curiosamente, contra sua vontade, pois afirmava que, no Brasil, ela comemorava cada vitória, fruto de muito trabalho, o que não ocorria em seu país de origem, onde, em suas palavras, tudo vêm de mãos beijadas, razão pela qual não existe a satisfação íntima da conquista.
Pode-se dizer, então, que as altas taxas de suicídio verificadas naquele país decorrem da saciedade mal vivenciada de alguém que, tendo conquistado tudo que a vida pode lhe oferecer, no sentido material, passa a sentir um desconcertante vazio, decorrente da falta de perspectivas para o futuro. De fato, a saciedade material, destituída de um certo respaldo espiritual, é uma das grandes causas do desgosto pela vida.
Ressalte-se que o Brasil, com tantas mazelas sociais, surge no cenário mundial das estatísticas do suicídio apenas na 71ª (septuagésima primeira) posição, certamente em decorrência do profundo sentimento de religiosidade dos brasileiros. Então, podemos dizer que, o vínculo com uma religião é importante para desenvolvermos o respeito pela vida do próximo e pela nossa também.
E a Doutrina Espírita, na condição de Consolador Prometido por Jesus, nos alerta sobre as gravíssimas conseqüências do suicídio, no plano espiritual e nas vidas sucessivas, auxiliando-nos a repelir sugestões infelizes, tão logo se apresentem em nossa tela mental. Oferece-nos, ainda, depoimentos mediúnicos dos próprios suicidas, que nos atestam a grande frustração pela qual passaram ao se defrontarem, no além, com uma realidade muito mais terrível do que aquela que vivenciavam na Terra, justamente por terem cometido o grande engano de julgar que, ao darem fim às suas vidas carnais, estariam, também, eliminando a inextinguível essência divina que somos todos nós. Portanto, não se mate, você não morre.